quarta-feira, 6 de abril de 2011

natureza

Oco o eco dos gritos na montanha. Como quem tenta alterar a rocha que nos engole em tamanho. Gostava de poder levar tudo isto num bolso meu, não dispensando a tua companhia, numa dimensão liberta do tempo. Vão-me enchendo risos da tua boca salgada. Do gelo da água que separa nos vales, retiro apenas a frescura. Contrasta o branco da pele que calca o verde vivo, na rapidez dançante com que se move a flor ao vento. Este tecto pintado como o mar, imenso azul imerso em calma. Do meu lado, a mais bela jóia em liberdade. Contemplo a sua concha protectora, exposta ao sol que lhe dá tom, queimando. Vê como é belo o chão que pisas correndo! E sufoca-me para inspirares fundo o meu ar. Agarra-me as mãos e os lábios encostados que não se beijam. Apodera-se o ar de um, do pulmão do outro. Finge que sou areia marcada, cicatrizada, embate em mim como se fosse rocha. Sê âncora que me prende a este e ao teu próprio cais de mundos vazios. É que às vezes, ao som da chuva que tenta derrubar o nosso castelo de bolas de sabão (tão frágil!), eu acho que encontrei um paraíso alcançável, aqui mesmo, na Terra de Homens que o querem destruir.

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