Oco o eco que me sufoca. Já nem sei se sinto o que me dói ou se só reparo no que não sofre. Pequenos, partidos os pedaços que restam de mim. Contorcido corpo usado. Negra a cor da mente, tal como o fumo na boca e nos pulmoes. Sento-me e vejo as chamas a consumirem o que me rodeia. Floresceu o fogo em torno de mim, em ondas que me sossegam a pele. Assisto à morte lenta do vermelho vivo que fiz nascer, transformando-o em cinzas. Só da morte se pode renascer. E hoje eu despedi-me de nós, na esperança que amanhã a tua ausência já não doa.
Desisti de forçar o silêncio dos gritos para não ser ouvida. Por isso vê e ouve o choro de quem levas a alma. E sê bem-vindo ao casúlo da dor, onde sonhos se misturam com memórias e onde se refugia quem não tem nada. Alguém como eu. E tu, um dia.
Ao som de Yann Tiersen,
Fotografia e texto: Carlota Fernandes.
as duas primeiras frases deram cabo de mim.
ResponderEliminaro flávio disse-me que escrevias bem, não vou discordar dele mas as duas primeiras frases foram quem soube dar cabo de mim.
"All the faces
ResponderEliminarAll the voices blur
Change to one face
Change to one voice
Prepare yourself for bed
The light seems bright
And glares on white walls
All the sounds of
Charlotte sometimes
Into the night with
Charlotte sometimes
Night after night she lay alone in bed
Her eyes so open to the dark
The streets all looked so strange
They seemed so far away
But Charlotte did not cry
The people seemed so close
Playing expressionless games
The people seemed
So close
So many
Other names..."
A dor é algo que permanece durante a altura que pensamos com uma força maior, que ela existe dentro de nós. Após o tempo passar, as mágoas secam, e aquela sensação de mau esta acaba por desaparecer.
ResponderEliminarA morte é um sentimento apetecível naqueles momentos que estamos no fundo do posso, contudo, existe sempre um corpo que nos faz voltar a ter vontade de viver =)
O texto está incrível Carlota, acredita numa coisa, o que é mau não dura sempre, passa na nossa vida, mas não acaba no nosso fim :)